Mary Poppins (1964)|Crítica


“Pessoas praticamente perfeitas nunca permitem que o sentimento atrapalhe seu pensamento.” – Mary Poppins

Frase do filme Mary Poppins de 1964

Mary Poppins torna a magia infantil possível ao assumir o ideal paternalismo e maternalismo, ensinando o valor desses papeis.

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Se conta aqui a jornada da babá Mary Poppins(Julie Andrews) ao vi do vento do Oeste para ajudar os pais Mr. Banks(David Tomlinson) e Mrs. Banks(Glynis Johns) a cuidar dos de Michael(Matthew Garber) e Jane(Karen Dotrice) enquanto cada um vivem seus papeis sociais em Londres. Para ajudar na missão de cuidar dos pequenos, Bert( Dick Van Dyke) que conhece Poppins sapateia e ensina boas lições.

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Com uma adaptação aos moldes encantados da Disney, Mary Poppins foi ao cinema em 1964 retratando a primeira década do século XX e Londres, época em que as sufragistas se movimentavam as babás se aproveitavam disso para conseguir mais emprego já que em âmbito público as mulheres saiam do ninho estabelecido pelo patriarcalismo no mínimo do controle dos machos capitalistas. Esse contexto o filme musical encanta, ludibria com pureza,felizmente, o público com o ideal familiar e o sentimento puramente infantil com críticas ao feminismo da primeira fase que tirava as mães de casa para comícios como relativiza a mão poderosa da burguesia inglesa quando coloca em cheque a falta de paternidade dos machistas que concediam voto a mulheres para manter o sistema patriarcal que parece ser valorizado nessa obra.

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O foco sempre foi as crianças, a fotografia do filme sempre faz close-ups para que o público lembre disso e se encante ou se entristeça como elas, então tudo é caricato, as ruas são artificiais, os cenários teatrais, algo típico de musicais e mais ainda de desenhos animados. Essa proposta de dislumbrar as crianças desenvolve ao mesmo tempo a babá Mary. Quando aparece se maqueando nas nuvens o diretor a introduz magicamente, meiga e metódica. É uma figura inspirativa e autiva, Julie Andrews agarra o papel com proeza, sendo dura quando necessária e irônica quando precisa. O seu conceito de mulher quase perfeita se revela nesse seu equilíbrio e fica claro que sua função não é apenas arrebatar os pequenos e sim também ensinar sobre paternidade e a maternidade os pais contrapondo os seus defeitos de priorizar os momentos sociais relevantes mas frívolos quando se perde a inocência e encanto pela vida em vez de valorizar o tempo, tão precioso para capitalismo, com os filhos. O roteiro funciona quase perfeitamente com sua riqueza de metáforas e subtextos sociais da primeira década do século XX para criticar a mãe sufragista sempre correndo para os comícios ao mesmo tempo o pai sempre correndo para os bancos enquanto Mary Poppins tem voz própria e tanta displina quanto um banqueiro que ela exercita com as crianças.

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Claro que existe uma controversa na mensagem implícita da obra seguindo os parâmetros da época que se passa a história quanto o ano que foi feito e por quem foi feito o filme. Existe uma carga machista e anti-feminista baseado no masculino frágil, porém existe também uma crítica a essa machismo enfurnado no patriarcalismo inglês por meio da obsessão do dinheiro. Mr. Banks é o pai que precisa ser salvo, o que na verdade está sofrendo com o machismo que sua esposa Ms. Banks aproveita para fugir nas canções sufragistas que ela alcança no ambiente público, não em casa. É possível se incomodar hoje com a fala mansa da mãe e seus diálogos com o marido, algo bem diferente das falas de Julie Andrews. Mas se atendo mais ao universo do filme, o que pode de fato incomodar a todos é o fator alongamento que musicais na busca do escapismo vacila. Dick Van Dyke, que vive Bert, na música “Step in Time” recebe a advertência de Mary Poppins para parar e as vezes esse é o sentimento que o ritmo montado que uma parte do público pode sentir, por mais contagiante e espirituoso seja ver Bert dançar e cantar.

Por fim, Jane e Michael, os verdadeiros protagonistas do filme na ideia, na verdade são todos aqueles que precisam viver o sonho e não apenas cantar um pedido. Todos precisam de uma Mary Poppins para o entendimento dos principais conceitos que são esquecidos como o valor da família que está muito além de ir para o trabalho com o pai ou ter só a mãe em casa, é ter algo em conjunto como a pipa que eles fazem no final.

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8.5

Nota

8.5/10

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

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