Nasce Uma Estrela (A Star Is Born, 2018) | Crítica

“Nasce Uma Estrela” é uma daquelas histórias que Hollywood ama contar. Não à toa, chega agora aos cinemas sua quarta versão. Qualquer dúvida que se tinha a respeito do projeto foi dissipada após sua estreia mundial no Festival de Veneza, onde foi aplaudido por oito minutos. Carregado de verdade e representatividade, o filme tem muito a dizer e emocionar.

Na trama, um astro da música, Jackson Maine (Bradley Cooper), está em um momento crucial de sua carreira. Alcoólatra, tudo mundo quando ele conhece a promissora, porém, insegura cantora Ally (Lady Gaga). Na medida em que vão se envolvendo e se apaixonando, Jack lida com o vício e a decadência, enquanto ela descobre o sucesso e ascende ao estrelato.

Em seu primeiro papel de protagonista na telona, Gaga se entrega totalmente e com a mesma dedicação vista em sua carreira musical. Sua personagem captura a audiência desde o primeiro instante, não sendo difícil de acreditar que o mesmo tenha acontecido com Jackson. O discurso de Ally se funde com a da própria cantora, algo que os fãs hão de perceber.

Já Cooper, em sua estreia na direção, faz um ótimo trabalho, se mostrando promissor. Não chega a ser novidade um personagem como o dele, vide o oscarizado Bad Blake de Jeff Bridges, em “Coração Louco” (2009). No entanto, a sinceridade que imprime faz dessa, única, e uma das melhores atuações de sua carreira, se não a melhor que vi.

Ambos me parecem dignos de brilhar na temporada de prêmios. Pelo menos no Globo de Ouro pode-se esperar o Filme e os Atores indicados nas categorias de Musical. O roteiro, co-assinado pelo agora diretor/ator, é baseado nas versões de “Nasce Uma Estrela” de 1954 e 1976, puxando mais para esta última, estrelada por Barbra Streisand e Kris Kristoffer.

Com a melhor trilha do ano, as possibilidades de Gaga conseguir seu primeiro Oscar são enormes, assim como Cooper. Das 34 músicas, 18 são originais. Dentre os produtores estão Mark Ronson e Lukas Nelson. A lista é encabeçada por “Shallow”, mas há composições excepcionais que poderiam ocupar todas as vagas da categoria de Canção Original.

Com o nível musical tão alto inicialmente, em determinado momento ele cai, o que me incomodou. Contudo, visto dentro do contexto, acaba por ter fundamento e uma dose de autocrítica. Apesar do mundo grandioso que cerca o casal, a história é focada em sua íntima relação. Não é de se estranhar assim que o ritmo seja lento em alguns momentos.

Em entrevista, Bradley Coopper revelou que sua estrela exigiu que todas as músicas fossem tocadas ao vivo. Muitas cenas foram filmadas em festivais como o Coachella, na Califórnia, e o Glastonbury, na Inglaterra. O diretor de fotografia Matthew Libatique tira bom proveito dos eventos, em sequências que nos fazem sentir em um concerto.

A primeira vez que Lady Gaga flertou com o Oscar foi em 2015 em um tributo emocionante aos 50 anos de “A Noviça Rebelde”. Até Julie Andrews se rendeu ao seu talento. No ano seguinte voltou como indicada pela Canção do documentário “The Hunting Ground”. Em 2019, ela pode merecidamente triunfar na maior festa do cinema mundial.

Como uma história de amor, fama, sucesso e fracasso, cada geração parece ter o seu “Nasce Uma Estrela”. E num paralelo entre a vida e a arte, o filme representa o nascimento de uma estrela de cinema capaz de inspirar milhares de pessoas ao redor do mundo. Hollywood ama isso, assim como precisamos de ídolos que compreendam o seu papel de inspirar.

  • Duração: 136 min.
  • Direção: Bradley Cooper
  • Roteiro: Eric Roth, Bradley Cooper e Will Fetters; Baseado no roteiro de 1954 de Moss Hart e no roteiro de 1976 de John Gregory Dunne, Joan Didion e Frank Pierson; História de William A. Wellman e Robert Carson
  • Elenco: Lady Gaga, Bradley Cooper, Sam Elliott, Andrew Dice Clay, Rafi Gavron, Anthony Ramos e Dave Chappelle

Moisés Evan

Formado em Jornalismo, acredito na cartilha de "The Post", e também em Publicidade, mas sem a intenção de fazer "Três Anúncios para Um Crime". Como "Lady Bird", ao alçar voo para outras bandas, cheguei até aqui. Tem horas que o mundo parece nos envolver numa "Trama Fantasma" ou nos colocar numa enrascada como em "Dunkirk". Não vou mudar "O Destino de Uma Nação" escrevendo sobre o que mais amo, mas sempre que eu postar, espero que você "Corra!" para ler e não tenha receio de comentar e/ou discordar. "Me Chame Pelo Seu Nome"? Melhor não. Mas pode ser pôr @sr.lanterninha. Vivo num mundo de sonhos e monstros e um dia hei de descobrir "A Forma da Água" em seu estado mais bruto e belo.

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