O Retorno de Mary Poppins (Mary Poppins Returns, 2018) |Crítica

Um filme necessário para tempos tenebrosos em que o ceticismo e o niilismo chegam cedo demais as crianças.

Image result for Mary Poppins Returns

Nesse remake de continuação as crianças Jane (Emily Mortimer) e Michael (Ben Whishaw) cresceram a fase adulta. Michael é viúvo e cuida sozinho dos três filhos Anabel, John e Georgie Banks (Pixie Davies, Nathanael Saleh, Joel Dawson) que ajudam o pai no que for, mesmo com a governanta Ellen que ajuda a fazer comida enquanto tiver pois após a morte da esposa financeiramente a casa vai de mal a pior. Nessa situação Mary Poppins (Emily Blunt) surge dos céus para ajudar a cuidar das crianças.

Image result for disney mary poppins film

A escolha de usar Jack, personagem vivido pelo famoso e animado Lin-Manuel Miranda, como acendedor de lampião em uma época que já havia eletricidade é o símbolo de preservar valores do cuidado e da admiração que esse tipo de trabalhador demonstrava na transição da madrugada para a luz do dia admirando o “Lory vely London Sky” da música. Essa mensagem junto com a personagem de Meryl Streep, prima de Mary Poppins, que tem a casa invertida no dia mais incomodante de trabalho que é quarta segunda-feira por ter tão próximo do final do mês e do final de semana que passou, mostra-se que precisa mudar sua pespectiva para enxergar que é só mais um dia. Todas essa metáforas sempre foram o espírito de Poppins que leva ensinamentos para os saudosistas do filme 1964, os adultos que esquecem mo outro dia da magia e para as crianças que são mais adultas hoje que os próprios pais que imaginam demais o realismo se perdendo nas capas dos livros sem coragem de abrí-los por falta de tempo, sem experimentar o novo. A músicas exalam isso e mais ainda a fantástica atuação de Emily Blunt que agradaria muito mais a autora P.L Travers, pois a atriz demonstra mais dureza e ironia que Julie Andrews, sendo menos simpática para crianças que estão sempre preocupadas. E numa linguagem mais aprofundada o vazio da morte da mãe que felizmente não há flashback e nem marteladas sobre o assunto mostra mais uma vez a modernidade em que os papeis maternos e paternos precisam entendidos tanto pelo pai quanto pela mãe.

Falando mais sobre o gênero musical que tem sido mais valorizado pelo público depois de La la land, o diretor Rob Marshall ainda traz muito do que sabe da Broadway com músicas bem mais explicativas do que chicletes e não comete o erro de se exagerar no sapateado e momentos dançantes que dificilmente elevam a experiência geral do público do cinema. Não há planos sequências de Damien Chazelle mas há uma montagem macia, coreografia idealizada pelo próprio diretor e uma fotografia que embevece a Londres com a iluminação amarela forte. E por mais que defeitos do original tenham se perdido outro apareceu que pertence ao próprio roteiro. Sente-se muito mais o final anticlimático quando trama se envolve na busca de um objeto que é central na história, além de poder incomodar o público que entrou agora no universo de Mary Poppins personagens que tomam decisões sem claras motivações que se atém ao arquétipo e nada mais. 

Image result for Mary Poppins Returns

Como esperado a trilha sonora de Marc Shaiman é o que carrega as emoções. Existe sim umas quatro vezes uma tocada referente a trilha dos irmãos Sherman, no entanto há mesmo o Original Motion Picture Soundtrack presente aqui, algo digno de Oscar, empolgante, extravagante e a atmosférica com muitas notas altas para efervescer o público contra o real fora da sala de cinema. Outro fator que inebria bem é o figurino de época e bem chamativos. Com o digital as cores se tornam mais chamativas, caricaturado como o desenho 2D usado mais uma vez revisitado, claro, já que as mesmas aventuras mágicas são as mesmas que ainda podem encantar. O porquê não modernizar é simples com base no posicionamento que o passado merece ser revisitado para conectar gerações e o que nunca devia ter sido perdido.

O que se conclui é na verdade a mesma coisa, que todos precisam de uma Mary Poppins para sempre lembrar de mensagens valiosas, que os adultos aprendam a ser adultos e vejam a prole como esperança, da mesma forma as crianças voltem a ser crianças e não se prendam ao relógio. Por mais que não encante a todos seja por semelhança ao original ou pela ideia de não necessidade da obra, uma coisa é certa, o conhecimento trazido é atemporal.

Image result for mary poppins returns cast

9

Nota

9.0/10

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

%d blogueiros gostam disto: