Vamos Falar de Polêmicas? #19 – Livro vs Filme? Qual é o melhor?

Se você viu o título do Post, ele não é nada mais nada menos que um clickbait, porque essa discussão nem deveria existir de fato, é uma comparação entre mídias totalmente diferentes em linguagem e escopo, não é como comparar séries e filmes, ambos do audiovisual, o texto literal e análise cinematográfica só se conversam porque ambas exigem de fato uma leitura, a diferença é que a obra imagética tem mais aspectos a se levar em conta do que apenas o texto de sua história, algo que é a grande e única preocupação do livro, portanto já afirmo logo que nenhum é melhor que outro, apenas tem-se perspectivas de gosto diferente.

Diante de uma única preocupação, é óbvio que o livro sempre será mais rico em detalhes, já que ele é uma peça de caráter muito mais pessoal, o autor tem mais liberdade de como descrever sua história ou narrativa da maneira como quiser, sem se preocupar com limitações de acessibilidade de seu produto, como vendê-lo, limite de páginas, dentre outras preocupações que obras audiovisuais têm diante de processos criativos que envolvem diversos profissionais diferentes, ou no mínimo, diversos conhecimentos diferentes de proporções orçamentárias infinitamente superiores para se sustentar, muitas vezes por meio de investidores externos que têm certo direito criativo na obra por estarem bancando, por mais que a distribuição literária também se prenda à marca de editoras famosas, não é algo que mudará a forma como o livro é descrito radicalmente, são outras proporções.

O escritor apenas precisa contar bem a sua história da forma que acredita, o que de certa forma torna a análise da literatura mais simples, no sentido em que todos os pontos vão girar em torno da escrita desse autor, se ela tem coerência com o que já havia sido estabelecido, entre pontos parecidos. Diante disso, acho muito injusto diversas e diversas pessoas, quando sai uma adaptação cinematográfica, julgarem apenas por esse ponto de adaptação em si, e esquecem que para um filme ser bom ou não, vai muito além de ser fiel à obra original. Isso porque não necessariamente ela precisa ser, o termo “adaptação” ja diz por si só que aquela história vai ser ADAPTADA para outra mídia, ou seja, mudanças serão inevitáveis, não tem como transpor 100% do material fonte por conta das limitações citadas anteriormente, e dentro daquilo só é possível e necessário cobrar apenas um elemento.

A intersecção do que pode ser comparado entre livro e filme é nada mais que a essência. O autor escreveu aquela história para literatura, deu a ela um título e solidificou aquilo na sua visão, é dever de caráter respeitoso a esse autor que ela seja respeitada em sua transposição para as telas, mas não necessariamente igual, qualquer um tem o direito também de ter sua interpretação sobre determinada obra a enxergando a sua maneira, transpor para as telas um entendimento próprio da essência. Assim, não dá nem para dizer que ter ou não essência é uma regra para uma boa adaptação, uma cópia da essência pode resultar em algo terrível, e a total desvinculação é o que pode torná-la tão interessante, e esses casos não são nem exceções, porque boa parte das reclamações para cima delas parte desses dois pressupostos. Se não eles, uma cobrança pessoal dos detalhes convenientes ao admirador, o típico “não gostei porque faltou x, y e z que havia no livro”, algo normalmente cobrado por leitores de best-sellers.

Tudo bem que comparar é inerente ao ser humano, e partindo de um pressuposto genérico é um problema, mas especificar se torna pior ainda, porque são tantas variáveis a se levar em conta para uma comparação ser justa em um cenário imparcial que só torna esse título de comparação mais sem necessidade de existir, além do gosto parcial. É aquilo que falei no texto do gosto (que você pode ler aqui), a utilização dos termos é de fundamental importância aí para isso, quando se afirma algo como bom ou ruim, parte de um pressuposto qualitativo no qual foco minha discussão e justifico que não faz sentido, mas quando se fala “prefiro o livro ao filme”, já sobrepõe com mais exatidão a preferência sobre um tipo determinado ao outro. Porque como reforço, mídias tão distintas não merecem ser comparadas nesses termos, livro deve ser comparado com livro e filme deve ser comparado com filme, cada um deve ser analisado da forma própria.

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